Toco o nada que deixaste. Sinto o vazio entre os dedos e a pressão da imensidão do vacuo esmagar-me a alma. Roubaste-me o sorriso. Levaste-o contigo. Levas-o contigo todas as vezes que partes. Partes e parto tb. Parto porque conseguiste o que à tanto querias. Conseguiste ferir-me, eu deixei que o fizesses. Baixei a guarda por momentos e tu desferiste aquele golpe que me conseguiu cortar. Parto mas não para sempre. Voltarei, voltarei para te tocar. Voltarei para te sentir a meu lado. Irei até ti, um dia. Um dia vais olhar por cima do ombro e lá estarei, poisado, olhando-te. Um dia vou-te estender a mão e tocar algo mais que o nada que toquei até agora. Um dia, tocarei o teu rosto. Um dia beija-lo-ei. Um dia, um dia.
Vou por aqui o que me pediste. Aquelas poucas palavras que te escrevi sem tu saberes, sem tu ouvires, sem tu as sentires. Mas elas virão ao teu encontro.
Esta noite precisava dos teus braços. Caí e como não estas para me levantar ficarei então no chao.
Amanha, e só amanha levantar-me-ei. Limparei o rosto molhado da tua lembrança e darei um passo em frente.
A um tempo que nunca nos uniu, a um beijo que nunca brilhou.
Adeus