Procuro-te no ar e não te encontro. Olho o mar, a terra, e nada me dizem sobre ti. De ti apenas sinto que existes agora e sempre longe de mim. Sei que um dia nos encontraremos e finalmente te poderei tocar para além de te conhecer. Pois é, conheço-te melhor que possas imaginar. Conheço-te para além da própria razão pois a razão não te pode explicar ou conhecer tão bem como eu. Vivo agora na esperança de um dia te encontrar no ar como um dia me encontraste. Sem saberes mostravas-me algo que não queria ver. Procuro agora no ar talvez aquilo que perdi ao encontrar-te, ou aquilo que me negaste ao perder-te. Procuro-te a ti, ou talvez a mim, aquele que passar primeiro e me der a mão, perdido aqui à beira deste mar. Volto a olhar o horizonte e só, contemplo uma das maravilhas que te quis um dia dar. Oiço o mar a falar de outros, de tantos outros que o habitam, que procuram nele refugio mas não quero saber. Não me importam. Quero saber de ti e filtro de todos os sons do mar uma noticia tua, mas nada. Fecho os olhos e parto. Deixo nesta praia a lembrança de ti para que um dia a venha resgatar e continuar a procurar.