Um beijo teu acalmaria tormentas escondidas num segundo. Ia satisfazer a procura dum silencio de prazer que se faz há muito esperar. Transformaria as tempestades demolidoras que roem cá dentro em serenos aguaceiros de água morna.
Um beijo teu soltaria a besta. A explosão que demora em se concretizar. O vulcão de intensidade que arde calmamente debaixo da superfície à espera duma pequena fraqueza por onde escapar.
O teu abraço, como grades duma prisão, prender-me-ia o quanto tempo tu quisesses. Com a força da tua doçura, e as garras dum carinho há muito em falta, transformar-me-ia numa estátua imóvel, parado no tempo e nos teus braços. E nessa prisão de gelo quente, calmo, ficaria a sorrir.
O teu sorriso derruba as muralhas que levaram anos a erguer. Suor e lágrimas secas a manter. As muralhas que esse sorriso lindo, pleno e maravilhoso, fazem mais permeáveis que nuvens, deixam-me aberto e vulnerável. Quisesses tu invadir-me, encontrarias resistência nula, e descobririas todos os recantos incógnitos daquilo que sou.
O teu ser deixa-me assim. Sem mim. Tudo que tenho quero dar. Tudo que faço, tudo que sou, por um sorriso, um abraço, um beijo teu.
a resposta que se perdeu no silencio.
um beijo basta...